A viagem de trem na Europa, sempre foi uma atração turística. Nós brasileiros que não temos muita cultura neste tipo de transporte, temos muita curiosidade pelas ferrovias. Aqui as ferrovias, nunca foram usadas de forma eficiente entre cidades, e muitas pessoas sabem que uma boa viagem de trem, pode ser muito agradável. Mais rápida (algumas vezes, como você chega sempre no centro da cidade, os deslocamentos podem compensar o avião), e mais romântica. Por estes motivos e por outros, considerar uma viagem de trem para chegar a algum destino na sua viagem de férias, pode valer a pena.

Qual o melhor transporte ? Trem, avião ou alugar um carro ?

O que acontece, porém, é que muitas vezes, é oferecido um passe aos turistas que não são moradores da localidade. Assim, por exemplos, turistas brasileiros podem comprar um passe para viajar por vários destinos na Europa, por preços bastante interessantes. 

Essa foi uma prática bem comum na década de 80/90/00, e que é muito considerada a salvação por muitas pessoas. Porém, é preciso se manter atento para evitar transtornos e analisar calmamente o seu roteiro para verificar se o passe é realmente a melhor opção. 

Ha pouco fiz uma viagem que se encaixa nesse perfil. Iria de Amsterdam para várias localidades próximas, e que poderiam ser feitas de carro, ou avião ou trem. 

O avião, depois do onze de setembro, se mostrou um meio de transporte muito pouco prático. O tempo que se perde, chegando antecipado para despachar malas, passar pela alfândega, depois pela imigração, pela segurança, depois chegar, e ir ao aeroporto, que normalmente fica longe de aonde se vai e de onde se chega, termina por transformar uma viagem de duas horas, no consumo de um dia todo, pois entre os deslocamentos, os tempos de espera, e descanso (depois de tanto correria), o dia termina mais rápido do que deveria. Ainda que os preços muitas vezes sejam atrativos (principalmente se comprados com antecedência) muitas vezes, no final, outro tipo de transporte pode ser mais interessante. 

Carro. Essa é uma opção que muitas vezes é cara na Europa. As companhias de aluguel incluem tantas taxas e seguros que após você ver sua tarifa inicial, o final esta duas a três vezes mais cara que o inicio, e isso quando não acontece de você chegar a agência e descobrir que ainda falta alguma coisa a ser incluida. Seguro, deixar fora ? Não Compensa, a menos que voce possua algum seguro já pago (como de cartão de crédito) que cubra exatamente o que o outro cubria. Tranquilidade é preciso. Outro custo que muitas vezes, não consideramos no caso de carro, é o combustível, pedágio, e estacionamento. Estes são custos que aparentemente são pequenos, mas ao serem totalizados na viagem, muitas vezes comem o que você tinha pensado que economizaria. Apesar da invenção do GPS, que logicamente é capaz de te levar a lugares que nunca você chegaria sozinho (sem falar a língua de um determinado local principalmente), existem caminhos errados que muitas vezes, atrasam a viagem e consomem, mais pedágio e gasolina. Lembro sempre de uma viagem que fiz aos Estados Unidos que me perdi perto de uma rodovia que tinha pedágio. Bom, passei umas quatro vezes, pelo mesmo pedágio, e pagando (não há desculpas pra isso). Então é bom considerar isso.

O estacionamento é outro ponto. Entregar o carro é muitas vezes um encarecedor, pois quanto mais tempo você fica com o carro, mais barato na teoria são as diárias. Isso é bom, mas e como se guarda o carro? Pois é, deixar na rua, mesmo quando há vaga, pode não ser uma boa opção. Muitas vezes, o carro pode ser roubado, ou abalroado, e acredite em mim, muitas vezes, o seu seguro tinha uma cláusula que te deixou de fora... São coisas de um idioma que não é nosso (e acontece com o nosso também, é ou não é ?), e isso sem contar o transtorno que isso é na viagem. Então quando você chega a um destino que vai ficar apenas dois ou três dias, acaba tendo que pagtar o estacionamento. 

Esse custo é muito caro, O estacionamento dos hotéis ńormalmente é caro, e os hotéis nem sempre ficam perto de opções em conta (por que será, hein?). E isso acaba sendo um adicional da diária que você não tinha levado em conta. 

A grande vantagem do carro é a flexibilidade, não precisa sair na hora marcada, não precisa, esperar o condutor, pode atochar um pouquinho mais de mala, sem pagar excesso. E isso muitas vezes é o que determina a escolha. Mas é bom lembrar-se de tudo isso na hora de decidir. Outro ponto do carro, é que sempre que você deixa pra última hora o aluguel, ou o modelo mais barato já não estão disponíveis, ou não tem carro nenhum mesmo, e ai fica a procura pelo que não tem mais. Uma parte da viagem se gasta com a procura de resolver o problema. Complicado. Às vezes você encontra num lugar longe de onde está, ou encontra um carro bem mais caro. Por isso, às vezes, mesmo pagando o estacionamento e ficando numa cidade que não vale a pena sair de carro (pois não só não há aonde parar, ou os estacionamentos perto das atrações são caros), você fica tanto tempo procurando uma vaga que o passeio deixa de ser agradável, ou então pára em um estacionamento tão caro que a visita tem que ser na base da correria, ou ainda fica preocupado se quando voltar o carro vai estar lá. É, às vezes, ficar com o carro parado, pode compensar. 

Pegar o carro em uma cidade e devolver em outra também pode incorrer em custo, principalmente se as cidades forem em paises diferentes (na Europa é facil). É preciso verificar antes se não haverá a cobranca de taxas.

Ai chegamos ao trem. Sem duvida alguma o mais versátil. É subir no centro da cidade, descer no centro da outra cidade. Carregar as malas, e sentar. Pois é bom, não ? 
Hoje em dia, porém, os tempos de conexões são menores, e as estações cheias de escadas, então levar muitas malas, pode ser um problema. Procure ter poucas malas.

Outro ponto é que em muitos trens, as malas ficam longe de você, e em tempos de crise, muitas malas acabam sendo "surrupiadas", ou abertas para uma pequena conferência ou algum imposto que um cidadão comum resolveu aplicar na sua viagem, fora os casos realmente sinceros de pessoas que pegaram a mala errada (Pois é, não tem "pão fresquinho"). Se possível, procure levar um cadeado e uma corrente para fechar a mala e a prender a alguma parte do bagageiro.

Mas ainda assim a viagem de trem é muitas vezes uma boa opção. Sem custo de transporte caro até a estação, ou sem estacionamento ou combustíveis, os preços são o que te cobram e pronto. Vale conferir então o que se pode ter de um passe e da passagem convencional.

Hoje em dia, a Eurail (através da RailEurope) é uma empresa de grande entrada no Brasil e um das maiores vendedoras de passagens e de passes, tanto pela internet, quanto por agências. E isso é bom ? Depende... 

Essa viagem de Amsterdam que citei, foi muito ilustrativa. Havia muito tempo que eu não comprava um passe, e como estávamos viajando a três, o passe me pareceu bem interessante. 

Sabendo que havia, porém, algumas restrições de tempo, comprei o passe com antecedencia. 

Isso, o passe precisa ser comprado com antecedência. Por quê ? Porque ele só existe pra você como papel real. Ou seja, nada de imprimir o recibo que você recebeu na internet e viajar com ele. Se fizer isso não embarca(ou embarca e depois tem que comprar o trecho de novo). O passe é um papel físico que precisa ficar na sua mão. E se perder também dá problema. Ou seja, você acabou de arranjar mais um "passaporte". Normalmente o envio demora de uma semana a dez dias, podendo demorar mais dependendo de onde você pediu a entrega (creio que estes tempos se aplicam as capitais). Bom, depois desse tempo, ele chegou e agora ? 

Pois é... Isso é só o inicio. Uma coisa que está escrito, mas quase ninguém lê é o seguinte: os passes de trem, não garantem a sua passagem. Ou seja, não espere que você vá entrar naquele trem que você quer apenas com o passe. Você pode comprar primeira ou segunda classe (que em muitos trens não possuem muita diferença, principalmente em trechos curtos  - até umas 5 horas), mas a sua entrada no trem, depende de disponibilidade. Isso mesmo, as empresas de passe possuem uma quantidade limitada de lugares nos trens, e você precisa fazer reserva. Detalhe, a reserva, muitas vezes é paga (principalmente internacional) e não está incluída no passe. Opa, mais um custo. 

Bom, mas se fizer com bastante antecedência, fica tudo certo, não ?

Não. Dependendo do trecho, você pode não conseguir o caminho direto. O que isso quer dizer ? Quer dizer que uma viagem direta, sem conexão de 3 horas, pode se tornar em oito, ou até mais horas. Isso sem contar que tem que subir e descer de um trem com as bagagens e não perder o outro. Então, numa era que tempo é dinheiro, leve isso em consideração para verificar se realmente vale comprar seu passe. 

Outros custos não incluídos no passe, são por exemplo se você for passar a noite num trem e desejar uma cabine. Os preços de cabine, não estão incluídos nos passes, apenas o seu assento no trem (e sem a reserva se for o caso). E estes custos, são muitas vezes caros. Então se sua viagem é noturna, considere o custo de pagar a reserva e a cabine, e não apenas o passe do trem, porque muitas vezes, uma viagem mal dormida a noite, estraga o dia seguinte. Leve isso em consideração. Então temos apenas isso a considerar entre o passe e o valor do trem ? 

Não, existem ainda algumas passagens que podem não ser oferecidas no site, e que podem causar descontos que tornem a viagem sem o passe interessante.

Existem em alguns lugares e determinadas companhias, passes de família, onde uma família, paga apenas por um filho, ou se todos estão no mesmo trem, possuem descontos, ou ainda companhias que não são parceiras da Eurail (ou da empresa do passe) com custo menor, ou ainda, o que acontece com muitas passagens aéreas hoje em dia: Comprar ida e volta no mesmo dia e NUNCA usar a volta, pode tornar uma passagem bem mais barata do que apenas comprar a ida. É ridículo, mas infelizmente é verdade.

No final de tudo, você pode acabar tendo surpresas no custo de comprar uma passagem no balcão da estação ao invés de perder horas montando um quebra cabeça de passe para poder atingir seu objetivo. Sim, porque os passes possuem muitas flexibilidades, mas muitas vezes, não se ajustam ao seu roteiro. As passagens possuem lugares (países) aonde são validos e dias que podem ser usados, como um passe que tem quatro dias para ser usado em 30 dias corridos, ou algo assim. Se você só vai viajar a dois lugares, vai pagar pelos quatro, e não vai usar, ou se você vai levar mais de 30 dias viajando, pode ser que o seu passe precise ser mais caro, ainda que de viagem só tenha dois dias (a chegada e a saída, por exemplo). Então, é preciso olhar com calma e planejar. Essa é a palavra chave, planejar. 

Vejamos como exemplo essa minha viagem de Amsterdam. 

De Amsterdam eu fui para Bruxelas, de Bruxelas a Bruges, de Bruges a Bruxelas, de Bruxelas a Luxemburgo, de Luxemburgo a Karlshure, de Karlshure a Munique, e de Munique a Viena. Um passe de trem que me serviria como uma luva seria o Benelux, cinco dias. Eu poderia usar cinco dias de viagem (normalmente cada dia de viagem é um trecho), a menos que você vá fazer conexão, ou se você vai visitar uma cidade pela manha e sair de tarde pra outra (isso conta como um dia). E era para dois adultos e uma criança de primeira classe, me saia por 643,70 Euros. 

Eu comprei e recebi o ticket conforme o estabelecido. Mas ao chegar e tentar efetuar as reservas (tente checar antes de comprar), percebi que os trecho que queria, não possuiam lugares disponíveis (não tinha para a Eurail, os trens estavam vazios). E isso determinava que eu deveria, não ir de Amsterdam para Bruxelas (aproximadamente 4 horas de viagem), mas sim de Amsterdam pra algum lugar e de lá para Bruxelas. Uma viagem triangular que me comeria mais umas 3 horas de viagem. Então eu acabei optando por absorver o prejuízo e devolver o passe (eles ficam com 15% a titulo de custos, mas realmente devolvem o restante), e mudei tudo. Comprei todas as passagens no balcão da estação de trem. E este acabou sendo o resultado: 

Planilha

Vale lembrar que comprei bilhetes de segunda classe (o passe era de primeira classe), e os preços já possuem as reservas (que o passe não tem). 

Meus trechos eram pequenos (até 4 horas), e as diferenças de primeira para segunda classe, se limitaram a decoração dos trens, e frequência, o que sinceramente, não faz muita diferença. As viagens foram confortáveis e tranquilas, sem demais problemas. 

Conclusão: No meu caso, além de ser uma opção mais econômica, a compra direta acabou se mostrando uma opção mais coerente. Sempre verifique o seu caso. Verifique a possível compra e reservas de bilhetes na internet. Planejamento antes, pode significar um aborrecimento a menos depois. Acredite em mim, vale a pena.


Alguns links do ótimo Viaje na Viagem do Ricardo Freire, que podem te ajudar: